Condições de bem-estar
O bem-estar de um animal passa essencialmente pelo respeito pelas características da sua espécie e pela manutenção da sua saúde física e mental. Em 1965, Roger Brambell propôs que o Bem-Estar Animal se traduzisse em 5 Liberdades:
- Liberdade de Fome e Sede: a água fresca e limpa deve estar sempre disponível; os animais devem ter acesso a comida adequada e na quantidade necessária para se manterem saudáveis;
- Liberdade de Desconforto: devem dispor de um abrigo adequado, espaço/oportunidade para se exercitarem e um local confortável para descansarem e se esconderem;
- Liberdade de Dor, Ferimentos e Doença: devem ser protegidos da dor, sofrimento, angústia e doença e devem ser tratados por um médico veterinário quando estão doentes ou feridos;
- Liberdade para expressar os seus comportamentos naturais: devem ter espaço suficiente e instalações adequadas que permitam que se comportem normalmente de acordo com a sua espécie;
- Liberdade de medo e angústia: devem ter companhia adequada; as condições e os tratamentos devem evitar o sofrimento mental.
Seguindo a proposta de Brambell, em 1994, David Mellor e Calm Reid, reformularam as 5 Liberdades, sugerindo um modelo alternativo – o Modelo dos 5 Domínios. São eles: 1.Nutrição; 2. Ambiente; 3.Saúde; 4. Comportamento; 5. Estado Mental. Esta abordagem reforça a importância do estado mental dos animais, reconhecendo que quando os aspectos físicos são comprometidos poderá haver consequências nos seus estados emocionais ou nas suas experiências subjectivas, resultando em impactos negativos no seu bem-estar. Neste modelo, as necessidades emocionais são tão importantes como as físicas.
Os burros são animais resistentes e bem-adaptados à vida em climas quentes e ambientes inóspitos. Esta espécie desenvolveu um caráter estóico, que advém da necessidade evolutiva de evitar a demonstração de sofrimento na natureza, de modo a não se mostrar como um animal vulnerável perante os predadores. Daí ser importante conhecer os seus comportamentos específicos, para que, com um olhar atento, seja mais fácil detetar qualquer sinal de dor ou desconforto que possa indicar necessidade de intervenção.
Um burro saudável e feliz movimenta-se com facilidade, tem as orelhas ativas, o olhar vivo e interage com o meio que o rodeia. Deita-se para espojar (rebolar no chão) e é capaz de se levantar sozinho. Deve ter sempre à sua disposição água e alimento de qualidade (palha/feno) e um bloco de sais minerais, sendo expectável que passe a maior parte do dia a comer e a pastar. Assim, alguns sinais principais de alerta são a perda de apetite, as orelhas baixas, a relutância em movimentar-se, a incapacidade de se levantar sem ajuda, ou o facto de estar permanentemente deitado.
As condições mínimas para possuir um destes animais correspondem a uma pastagem de, pelo menos, meio hectare (por animal) e a um abrigo, onde o burro e o seu alimento possam estar resguardados, principalmente durante o inverno. A zona coberta deve ser bem arejada, embora seja fundamental proteger o animal de correntes de ar e da chuva. É igualmente importante que o abrigo seja limpo com frequência, retirando o estrume acumulado, fator importante para a manutenção de um ambiente higiénico, que previna o aparecimento de doenças. O chão deve ter boa drenagem e aderência. Outro aspeto a ter em conta é a natureza do burro como animal gregário, razão porque não deve ser mantido sozinho. É sempre preferível juntar pelo menos dois animais (duas fêmeas, uma fêmea e um macho, ou dois machos castrados). Caso tal não seja possível, poderá ter a companhia de um animal de outra espécie: um cavalo, cabra, ovelha ou cão, por exemplo.
5 Liberdades